segunda-feira, 17 de maio de 2010



Sylvia Plath




Danças Noturnas




Um sorriso caiu na relva.
Irrecuperável!

E como vão se perder
Suas danças noturnas? Na matemática?

Estas espirais e saltos puros -
Viajam pelo mundo

Para sempre, e não me sentarei
De todo esvaziada de belezas, o presente

De sua suave respiração, a grama úmida,
O aroma de seus sonhos, lírios, lírios.

Sem relação com sua carne.
Dobras frias do ego, o copo-de-leite,

E o tigre, se enfeitando todo -
Pintas, e um espelhar de pétalas quentes.

Os cometas
Têm tanto espaço para percorrer,

Tanta frieza, esquecimento,
Teus gestos se lascam -

Mornos e humanos, sua luz rósea
Sangrando e descansando

Pelas negras amnésias do céu.
Por que me dão

Estas lâmpadas, estes planetas
Caindo como bênção, como flocos

Com seis lados, brancos
Sobre meus olhos, meus lábios, meus cabelos

Tocando e derretendo.
Lugar nenhum.




Do livro ARIEL


Tradução:

Rodrigo Garcia Lopes e

Maria Cristina L. de Macedo



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