sexta-feira, 30 de dezembro de 2011



Há 10 anos e 1 dia foi embora Cássia Eller. Em 29 de dezembro de 2001. Eu estava tomando uma breja com meu amigo Alfredinho no Pupi (bar na Paulista), que fica bem em frente da Gazeta. Não acreditei, achei que fosse uma bricadeira muita da sem graça, quando os caras, câmeras, jornalistas e etc, chegaram no bar contando a notícia que iria pro ar naquele momento.

Cássia Eller, eterna. Dez anos e parece que foi ontem.



Rock In Rio 2001 - HD

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011



Pra todos!


um beijo.


Nancy




quarta-feira, 21 de dezembro de 2011



Meu jeito errado de escrever





Sempre tive problemas com a escrita. Hoje 90% curada mas ainda cometendo gafes. Tive um problema relacionado a demasiada distração e ansiedade. Na prática, acontecia de escrever uma palavra faltando letras, uma frase faltando palavras, uma palavra com a letra trocada - a posterior no lugar da anterior, e outras coisas como: a troca de e por i, a por o, e o por u.


Também tive problemas com ansiedade quando comecei a fazer datilografia. Eu tinha uns 11 anos de idade. "Datilofrafia (datilografia) do Mário". Seo Mário tinha uns 50 anos. Tinha as pernas tortas, e eu vivia infernizando a vida do seu Mário para trocar as máquinas de escrever. Eram velhas demais! (rsrsr). (acabei de trocar o o pelo u - percebi e vou deixar. Continuando... fiz a datilografia e ganhei o diploma a muito custo, pois seo Mário era categórico comigo: eu só levaria o diploma se no teste final fizesse os 300 toques por minuto (que era o mínimo)só que,detalhe, com todos os dedos na máquina.


Eu tinha horror a usar todos os dedos. E pedia ao seo Mário pelo amor de deus pra fazer o teste do meu jeito. Ele nem me respondia. Ria da minha cara. Eu insistia e afirmava minha maior velocidade escrevendo errado. Nenecas.... ele era fatídico!sinistro! (como se diz muito aqui no Rio) (rsrsr).



Até que no dia de mais uma tentativa de teste final consegui os 300 toques em 1 minuto e com todos os dedos.


As pessoas acham que digito muito rápido. Sim faz parte, e ainda mais depois do que disse para meu professor: "tirando o diploma vou escrever do jeito que eu quiser".


Mas quanto as trocas citei (acabei de pular que (antes do citei) - vou deixar assim), é só com atenção mesmo. Tenho que reler as coisas, enfim.... hoje faço mas percebo.


Só que não foi o que aconteceu numa postagem aqui (A Vendedora de Cigarros), só reli hoje e percebi um erro, deixei postado esquesito -Troquei o i pelo e. Sorry. Kisses.






terça-feira, 20 de dezembro de 2011




Nessa noite calorosa e estrelada (pra mim ainda é noite, e ainda vai mais um pouco).... a divina Etta James.


domingo, 18 de dezembro de 2011


Sérgio Britto em “A última gravação de Krapp” - de Beckett


Eu quando podia assistia ao programa de Sérgio Britto. Nunca o vi atuando no teatro, infelizmente, mas sempre o achei, e acho, um cara grandioso. Vai abaixo um trecho de uma entrevista para o Sesc SP em 2003.





Vamos falar um pouco sobre esse espetáculo em cartaz, o Sérgio 80. O que você conta nele?


Eu cito Quatro Vezes Beckett porque eu conto minha experiência com o Gerald Thomas, fui eu que o trouxe para o Brasil. Eu falo dos dois Geralds: do desagradável, aquele com o qual eu não concordo, aquele que chega, olha para a platéia e diz: Ih, tudo com cara de burro, não vão entender nada hoje, vai ser ruim; e o Gerald que trabalha com os atores. Não há um ator que tenha trabalhado com ele que não o ache ótimo. Ele desperta coisas em você que você não sabia que podia fazer. Ele é maravilhoso, é um diretor criativo como poucos. Conto que fui um rapaz muito tímido e, ao mesmo tempo, muito adulto. Eu não brincava muito, eu ficava perto dos mais velhos ouvindo as conversas. A família me fez aquela subliminar: Meu filho vai ser médico, meu filho vai ser médico. Pois bem, fui ser médico. No quarto ano de medicina me perguntaram: Quer fazer teatro? E respondi: Quero! Foi impressionante porque eu não vacilei. Depois eu fiquei espantado por que como assim eu disse quero? De onde veio isso? Eu comecei a fazer teatro universitário, depois fiz o Teatro de Estudantes, do Paschoal Carlos Magno. Aí já era a época do Sérgio Cardoso, que foi me empurrando para o teatro. Acho que ele foi uma das coisas mais determinantes para eu largar a medicina. Nós brincávamos de fazer teatro, era uma coisa mais ou menos. Mas o Sérgio já era ator.

Que texto você viu nesse tempo todo que considera pilar da dramaturgia brasileira que vai sustentar ainda futuras gerações?


Tem um autor que eu não sei quanto tempo vai durar, mas que é sensacional, que é Nelson Rodrigues. Eu me lembro que quando garoto ia muito ao cinema também, e gostava mais, na verdade - de certa forma eu ainda acho que gosto mais de cinema que de teatro como espectador. O cinema me envolve mais, me faz fugir mais da realidade, não sei... Eu gosto de teatro, muito, mas sou muito exigente. Mas eu sou muito exigente comigo mesmo também. Demais. A ponto do exagero. Mas em 1943 eu vi Vestido de Noiva, foi quando tudo mudou, eu comecei a gostar e querer ir mais ao teatro. Aí já não ia mais com a família, ia por conta própria, já tinha 20 anos. Foi uma revelação das possibilidades do teatro, aquele cenário do Santa Rosa, outros planos, a realidade, a fantasia, alucinação.

Além de Vestido de Noiva, há algum outro texto?

Outro texto muito importante é O Cristo Proclamado, de Francisco Pereira da Silva. Recentemente Giani Ratto fez anos e nós tivemos um almoço com ele no Albamar, no Rio de Janeiro. Fernanda, Fernando, Ítalo Rossi, Calma Murtinho e Tânia Brandão, que escreveu um livro sobre Teatro dos Sete. Ao mesmo tempo, a filha dele fez um documentário sobre nós comentando Giani Ratto. Todas as nossas conversas vão virar um documentário. Falamos muito sobre essa experiência de O Cristo Proclamado. É uma peça que hoje faria um sucesso tremendo.

Como você avalia a qualidade do teatro hoje?


Giani Ratto diz que nós continuamos perdidos. Talvez o desânimo dele seja maior que o meu, mas nós estamos realmente numa situação bem confusa culturalmente. Em São Paulo geralmente se fala que está tudo bem. Eu não acho que está. Eu vejo a programação de São Paulo e realmente está bem melhor que o Rio, que no momento não atravessa uma situação boa. Há muitas estréias por aqui, mas estréias insignificantes, que não representam nada.

O que você chama de confusão?


As pessoas não estão com caminhos firmes e nítidos. Elas não sabem o que fazer do teatro, e saem por aí, como dizemos no meio, dando tiro na praça. Peças que não se sabe nem por que foram montadas. Montou-se porque o papel era bom para determinado ator ou determinada atriz. Isso não é teatro, isso é uma exploração comercial do entretenimento levada às últimas conseqüências. O teatro não sobrevive culturalmente assim. Não estou aqui sendo um moralista do teatro dizendo que não pode haver o puro entretenimento. Pode, sem problemas, mas só?






sábado, 17 de dezembro de 2011



Performance "A Vendedora de Cigarros"






Na sexta-feira trabalhei com minha performance A Vendedora de Cigarros. Há um mês não a colocava nas ruas. E como sempre o resultafo foi espetacular pra mim.


Dentro de tudo que aconteceu na noite, vou contar uma que me deixou meio, sei lá, contente, feliz, emocionada, e até preocupada (rsrsr). O teatro, meus shows, graças a Deus, sempre me deram muita alegria (bem pouco dinheiro, ou quase nada mesmo), mas sempre tive aquela sensação boa de estar realmente transmitindo coisas legais.


Agora, o que acontece com essa performance me deixa até meio, digo, bastante, zonza (rsrsr). Vamos lá ao que eu iria contar:


Passando naquela rua que vai dar na escadaria de Santa Teresa, um músico sentado numa mesa de um bar, com seu instrumento no colo tomando uma breja, me chamou. Resumindo, ele queria um poema meu, dos cigarrinhos.


Quando achei um (tenho que abrir um por um e depois montar o cigarrinho de novo). Entreguei a ele. Ele leu, eu achei que não iria gostar e já procurava outro. Mas não precisou, disse ter gostado muito inclusive. Fui embora.


Na volta, ouvi alguém me chamando da mesa do rapaz. Fui até lá e aí ele estava acompanhado com um colega, notave-se também músico. E o cara foi dizendo: "moça quero o poema dele". " O meu não cara". Um pequeno mal entendido: "quero um igual o dele". Vou tentar". E fui abrindo cigarrinhos até abrir todos, e nada.


Infelizmente não tenho mais aqui. Ofereci outros, Hilda Hilst, poemas maravilhosos de poetas grandiosos. E nada. "Posso lhe enviar por internet se gostou tanto" (pois a expectativa do cara a cada cigarrinho que eu abria era impressionante). E nada. O cara ficou realmente triste. Disse que queria naquela noite, pois daria a alguém.


Eu já estava meio de saco cheio (rsrsr) e precisando continuar meu trabalho. "olha não posso mesmo fazer mais nada. Tchau.....". Aí o cara olhou dentro da minha, minha (na verdade não sei como se chama - dentro de minha maletinha que se transforma naquela coisa que as vendedoras de cigarro usam abertas, com tiras no pescoço e cintura) e viu uma caixinha (linda!) da Elis Regina. Pegou a caixinha e disse num tom esquisito: "vai a Elis mesmo, acho que ela vai gostar". "não quer ler o poema de dentro, perguntei?" "Não, não quero não". Me pagou, não quis troco, e eu continuei meu trabalho. Fiquei curiosa pra saber qual poema ele estava levando. Eis o meu poema, abaixo:




Dança do Cisne


O verdadeiro amor
é dourado
cintilante
prateado.

Amor
Resplandece
Restaura corpos
(in natura)
Inova almas
Ressuscita.

Amor brota
Enraíza
Floresce
Amor não morre
Nós morremos
Ele permanece.








quarta-feira, 14 de dezembro de 2011



à flor da língua


uma palavra não é uma flor

uma flor é sue perfume e seu emblema

o signo convertido em coisa-imã

imanência em flor: inflorescência

uma flor é uma flor é uma flor

(de onde talvez decorra

o prestigio poético das flores

com seus latins latifoliados

na boca do botânico amador)

a palavra não: é só floriléfio

ficção pura, crime contra a natura

por exemplo, a palavra amor




Geraldo Carneiro






domingo, 11 de dezembro de 2011

The Doors - Touch Me




Desde que cheguei no Rio, na quinta, chove, melhor, chovia sem parar. Agora de tarde o sol resolveu aparecer e ficar um pouco. Ouvia Doors, entre limpezas, arrumações....

terça-feira, 6 de dezembro de 2011


Canção


beleza é uma concha
do mar
onde ela reina triunfante
até o que o amor a encontre

vieiras e
patas de leão
esculturas para o
tom de recuadas ondas

acentos eternos
repetidos até
que o ouvido e o olho deitem
juntos na mesma cama


William Carlos Williams (1883-1963)

Tradução: Virna Teixeira



segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


Chorei ontem com a notícia da morte de Sócrates. Eu e tantos, creio. Como eu gostaria que o futebol (e não só) fosse diferente... deixa o doutor falar um pouco. Sempre Sócrates!



domingo, 4 de dezembro de 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Intolerância 2.12.11


Não aguento mais

Créu

Léu

Danças estúpidas

Misses bumbuns

Mentes bundas.

Próteses, silicones, lipos

Certas apresentadoras

“Atoras” (atrizes)

Cantoras

Poetas, poetisas,

Entendedores disto, daquilo.

Jornalistas

Ensaístas para Realitys Shows

Women Men

Mídias privilegiadas

Notícias estapafúrdias

Vidas de “Célebres - Celebridades”

Cu na minha cara!

Caras de retardadas!

Bucetas sem pelos

Crianças grávidas!

A natureza apelando

Meu dente doendo

O mundo se fodendo!



Nancy Macedo




quarta-feira, 30 de novembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011



Na correria, pois hoje estarei embarcando para a minha terrinha "São Paulo City". Saudades mil. Já fazem alguns meses que não vou pra lá. E, estou pasma, vai fazer 1 ano que estou morando no Rio. Pois é. Abaixo o mestre Itamar Assumpção em música pra Sampa. Inté. Kisses.




VENHA ATÉ SÃO PAULO




Venha até são paulo
São paulo tem socorro, tem liberdade, tem bom retiro
Tem esperança, tem gente e mais gente, cabe invade
São paulo tem muitos santos espalhados pelo estado
Tem são judas, são caetano, santo andré, tem são bernardo
Tem são miguel, são vicente, do outro lado tem são carlos
Tem santo
Que nem me lembro são joão clímaco, santo amaro e a capital são paulo
Tem o largo de são bento no centro
E no litoral tem santos, há santas também
É claro, santa efigênia, santana, santa cecília,
Tem santa clara...
Venha até são paulo ver o que é bom pra tosse
Venha até são paulo dance e pule o rock and rush
Entre no meu carro vamos ao largo do arouche
Liberdade é bairro mas como japão fosse
Venha nesse embalo concrete fax telex
Igreja praça da sé faça logo sua prece
Quem vem pra são paulo meu bem jamais esquece
Não tem intervalo tudo depressa acontece
Não tem intervalo
Vai e vem e tchan e tchum êta sobe desce
Gente do nordeste, do norte aqui no sudeste
Batalhando nesse mundaréu de mundo que só cresce
Só carece
Venha até são paulo relaxar ficar relax
Tire um xérox, admire um triplex
Venha até são paulo viver à beira do stress
Fuligem catarro assaltos no dia dez






Itamar Assumpção




domingo, 20 de novembro de 2011



“o que é solidão? É viver sem obsessões. Mas na vida às vezes a gente tem que escolher entre esmurrar a ponta de uma faca ou se deixar queimar no fogo”.






Rodrigo de Souza Leão





quinta-feira, 17 de novembro de 2011



nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém,nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas


E.E. CUMMINGS


( tradução: Augusto de Campos )

terça-feira, 15 de novembro de 2011



LIXO ASSASSINO



O lixo no mundo tem aumentado.

O lixo não é somente
Restos, detritos,
Materiais gastos,
Coisas que não nos serve mais.

Tem muito Lixo Cultural por aí
Tem muito Lixo Moral por aí
Tem muito Lixo derivado
Dos absurdos dos insensatos.

Tem muito bueiro entupido
Tem muita sujeira espalhada
Da linha do trópico à calçada da minha casa.

Vamos cuidar
Para não escorregar

No lixo
Materializado

E sermos
Soterrados

No lixo

Ou assassinados

Pelo lixo

Por nós
Produzido

E

Alimentado.






(Nancy M. 2007)




quinta-feira, 10 de novembro de 2011


(Nancy Macedo e Juliano Dela Guerra)



Dever quase cumprido em SAQUAREMA....


Quase porque, como eu disse para prefeita de Saquarema, Sra. Franciane, cumpri o que me comprometi comigo mesma. Aliás, a escritora Roseana Murray (foto abaixo) escreveu algo bem bacana sobre eu ter ído parar em Saquarema (tô colocando abaixo e também o que achou do Caixinha de Música depois de assistir ao espetáculo).

Pretendo voltar em Saquarema para apresentarmos para tantas e tantas crianças que não puderam participar desta vez.

Agradeço ao Juarez (da secretaria de comunicação) pela força no rádio, TV, etc. A Kelly da secretaria de educação, e Luciana proprietária da belíssima POUSADA CANTO DA VILA.


No mais, deixo (abaixo) com a Roseana (postado em seu blog 8/11).



" Hoje, às 15hs, vou ao Teatro Mário Lago, aqui em Saquarema para assistir a peça montada por Nancy Macedo a partir do meu livro Caixinha de Música. Ela é atriz e dançarina, e não sei como veio parar aqui na minha cidade, algum vento maravilhoso a trouxe para que eu possa assistir ao seu espetáculo.
Caixinha de Música é um livro lindíssimo, minha parceria com meu filho Guga. Alexei Bueno, grande crítico de poesia na contra capa diz que " Caixinha de Música se insere perfeitamente na melhor genealogia da poesia para crianças no Brasil, na linha de obras-primas como Ou Isto ou Aquilo de cecília Meireles, ou dos Poemas Infantis de Vinicius de Moraes." Não é pouca coisa alguém tão importante escrever uma sentença assim! Fico muito impactada e me dá até um certo medo"


" Acabo de voltar do espetáculo Caixinha de Música, no Teatro Mário Lago, (completamente decadente, um horror!!!) e tudo me emocionou, até mesmo o teatro mostrando as suas entranhas carcomidas. Aliás, a Prefeita Franciane que foi conversar com as 130 crianças presentes, me disse que não irão reformar o Teatro, mas sim fazer um lindo teatro novo para 500 lugares. Saquarema merece! O espetáculo musical que a Nancy Macedo montou com os meus poemas do livro Caixinha de Música é simples, despojado, impactante, ela deixa que os poemas cantem sem nenhum artifício, acompanhada por um músico esplêndido. As crianças vibravam e cantavam junto e batiam palmas e participavam. Fiquei com um nó na gargante. É maravilhoso ver meus poemas transformados em canções ocupando o espaço poderoso do palco. Fiquei mesmo muito emocionada. O espetáculo é muito barato e se alguma escola quiser levá-lo entre em contato comigo que eu me comunico com a Nancy Macedo. É uma maneira linda de aproximar as crianças da poesia"



Professores ajeitando as crianças antes do espetáculo (não sei se o primeiro ou segundo)

terça-feira, 1 de novembro de 2011


Na correria (estava fazendo um macarrão ao mesmo tempo), gente, ficou muito bom... estou almoçando aqui. Coisa rápida: sobra de carne moída (no meu caso com batata, do dia anterior (lógico tirei as batatinhas), rúcula (que estavam quase estragando na geladeira) e uma caixinha de creme de leite - num espaguette fininho. (rsrsr). E, bloguei no blog errado (rsrs).

Até que foi bom... na tentativa de ajeitar, está lá a informação (não aparece na imagem ao lado) - então:

DIA 08/11 ESTAREMOS (EU E JULIANO DELA GUERRA), APRESENTANDO O CAIXINHA DE MÚSICA NO TEATRO MÁRIO LAGO EM SAQUAREMA.

Agora sim aqui:




Um anjo torto


desses, maltrapilhos
descabelados e fedidos,
apareceu em minha frente, de repente
e indagou:
E aí moça, está tudo bem?
Tudo bem - eu disse.
Você não tem medo - perguntou.
Medo do quê - eu perguntei.
Medo de ficar sozinha - ele disse.
Não, não tenho medo disto - eu disse.
Aliás, não fui eu quem te chamou - eu retruquei.
Sim, mas eu já estava por aqui - ele falou.
E continuou:
Na verdade não tenho o que fazer na vida.
Sei, sei - eu falei.
Que tal tomarmos uma breja - eu convidei.
Ok - ele respondeu.
Era o que eu precisava – completou.
É o que eu preciso. Afirmei.






(Nancy M. 2009)



quinta-feira, 20 de outubro de 2011


Blues

Bem-te-vi

Sem sono.

Cochilo solto

Dançando em sonho

Depois do almoço.


Nancy M.



quarta-feira, 19 de outubro de 2011



Garoa pinga pinga

Cabeça agita

Molhada de saudade.




sábado, 15 de outubro de 2011


" Nas tuas asas

Leve borboleta

Voo no tempo"




Nunca gostei muito do dias das crianças, pois faço anivesário muito perto da data, dia 16. Então ficava restrita a um presente sempre de quem quer que fosse, e a frase fatídica acompanhando "já vale para o aniversário também tá" ou "dou seu presente no dia do teu aniversário", tá bom?!". Eu ficava irada!!! (rsrsr).


Lembre-me ontem de uma cena e ri muito sozinha: eu sentada no colo do meu padrinho; eu tinha 5 ou 6 anos de idade. Estávamos na cozinha de casa e ele conversava com minha mãe, que se ocupava de alguma coisa. De repente me perguntou o que eu gostaria de ganhar de presente (deveria ser próximo dessas datas). Eu respondi imediatamente: um piano. Ele ficou meio azul (rsrsr). Sim, disse ele, um piano de brinquedo. Não padrinho quero um piano de verdade. E ele muito sem jeito tratou de me explicar que não poderia me dar um piano, não tinha condições.


Coitado do meu padrinho, era ainda estudante de direito, tinha uns 23 ou 24 anos, duro pra caramba! (rsrsr). Então me deu um par de brincos de ouro, bem pequenininho, aquelas bolinhas. Deve ter custado bem menos, absurdamente menos que um piano, mas mesmo assim com certeza lhe pesou no orçamento. Creio que ele fez aquilo pra tentar compensar minha decepção, nitidamente transparente, ao ouvir que ele era um duro (rsrsr).


Mas um aniversário se aproxima, e estou muito feliz. O Caixinha de Música foi mais que maravilho neste retorno à Rio das Ostras. Em uma das sessões até foi pedido bis, não para, continua, (rsrsr)... e crianças são muito espontâneas.... se gostam gostam mesmo! E vários comentários bacanas vindo das crianças (elevando bastante minha autoestima - rsrsr) e dos educadores que já trabalham com poemas da Roseana Murray. Apresentamos no Teatro do Centro Educacional Casulo - ao total para 437 crianças.


Algumas coisas ainda precisam ser acertadas... mais investimento... mas vamos indo.


Mudando de assunto, chove muito aqui no Rio. Sendo assim a Vendedora de Cigarros somente deve aparecer semana que vem. Estou com saudades.... semana retrasada trabalhei bastante com a performance, chegando a fazer dois turnos (rsrs) Leblon e Lapa. Foi divino retornar ao Leblon. Meu trabalho é tão reconhecido e gostado que chego a ficar emocionada.


Encontrei um cara, residente no Leblon, que comprou minhas caixinhas na Vila Madalena na útima vez que estive em minha terrinha adorada (SP) ... só a turma dele comprou umas 20 caixinhas... ele comprou 3 e tinha, neste dia que o reencontrei no Leblon (melhor ele me encontrou, pois me viu andando do outro lado da rua, e gritou muito (de um restaurante chic no último), para que eu parasse, enfim, inacreditável, tinha os poemas na carteira (rsrs). Logicamente comprou mais caixinhas e os amigos idem. Então... semana que vem estaremos por aí....


Bom, acho que falei demais, demais (rsrs). Daqui a pouco começo preparar coisas (comes) para meu niver amanhã. Vou às compras.





Kisses



domingo, 9 de outubro de 2011




Daqui a pouco estou indo para Rio das Ostras. Uma bateria de espetáculos. Que bom . 5 aprensentações num dia. Inté.






sábado, 8 de outubro de 2011

Fotinhos Saquarema



Foto com as crianças - moleques abaixo mandando recados...



Teatro Mário Lago


Entrada pela lateral do teatro - reformas... que bom!




Turma da tarde saída do espetáculo (fizemos 2 apresentações)



Teatro Cheio - foi muito bom. Principalmente porque parece terem gostado bastante. Cantaram algumas músicas comigo como se já conhecessem. Muito bom mesmo!




Juliano Dela Guerra na piscina da pousada. Só pra foto! No nosso intervalo fomos conhecer a casa do Serguei (rsrsr) gente! é uma lenda viva do Rock. Foi o máximo!!




quarta-feira, 5 de outubro de 2011





RUMO À SAQUAREMA...







Há alguns anos pensava se iria conseguir montar o Caixinha de Música. Se estaria um dia apresentando em Saquarema (onde mora Roseana Murray - escritora/poeta - autora do livro Caixinha de Música, com Guga Murray (seu filho) e ilustrações de Sérgio Magalhães.

E daqui a pouco estou indo para Saquarema. Amanhã estaremos apresentando o espetáculo no Teatro Mário Lago (que é de Saquarema e está sendo homenageado esses dias aqui no Rio - grande Mário Lago!)

Faremos apresentação 9h30 e 14h30. Com público já fechado para alguns alunos da rede municipal de ensino. Desde já deixando minha palavra aqui (mesmo que não leiam) que retornarei em Saquarema "fomentada" - digo, com patrocínio, e assim todos terão acesso. Garanto!! Infelizmente a gratuidade pra mim fica difícil pois também não posso tirar o lugar de quem pagou para escola R$ 3,00 - (cheguei fazer a R$ 2,00 - mesmo assim muitos ficaram de fora). Por mim abriria a porta do teatro e pronto! Mas tem outras crianças envolvidas. O teatro só tem 170 lugares. Voltamos ainda dia 08/11 com já outras escolas agendadas. E sem data ainda, o que acabei de afirmar.





AGRADECIMENTOS:



Acho importantíssimo agradecer quem me ajudou neste projeto para acontecer em Saquarema. Cultura é muito difícil. Besteirol muito fácil. Enfim....


Agradeço a Secretária de Educação e Cultura Sra. Ana Paula P. G. Fortunato e à Kelle Figueiredo (Setor Pedagógico). À Juliana diretora do teatro, e a todos diretores de escolas, coordenadores pegagógicos e professores que estão envolvidos. Agradeço à Luciana proprietária da pousada Canto da Vila e do Hotel Fazenda Canto da Serra. Vai a propaganda mais abaixo. Lógico!




(foto igreja Saquarema - Centro)



APOIO CULTURAL:





POUSADA CANTO DA VILA




A Pousada Canto da Vila, está localizada em um ponto central de Saquarema, próximo à Igreja Nossa Senhora de Nazaré, com fácil acesso ao centro comercial e cultural da cidade e também a todas a belas praias da região. Temos uma vista privilegiada de toda a praia, onde você pode saborear nosso delicioso café da manhã, descansar a mente em nosso salão de jogos, relaxar em nossa piscina ou ver o pôr do sol de um lugar especial, que só a natureza e a Pousada Canto da Vila, podem proporcionar. Aliás, esta é a principal característica da Pousada Canto da Vila.



Conheça mais acesse o site: www.pousadacantodavila.com.br

e o Hotel Fazenda: www.hotelfazendacantodaserra.com.br



Inté. Correria.... Kisses.



quinta-feira, 29 de setembro de 2011



... Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...




Pablo Neruda





sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Um pouquinho da nossa apresentação "Caixinha de Música" no Teatro Municipal de Rio das Ostras, quarta e quinta.











terça-feira, 20 de setembro de 2011



Não é essa caixinha que usarei no espetáculo mas é muito parecida. Um achado, assim como todos os achados.

Estou feliz por ter chego (teimosamente, insistentemente, determinadamente (rsrsr) enfim... ao resultado visual do espetáculo (que sonhei).

Também parece um sonho o resultado que conseguimos na construção musical do espetáculo.

O show Caixinha de Música finalmente chega ao palco amanhã. Estou na correria, pois ainda tem muito a fazer.... a coisa não para (rsrsr).

Rosena Murray diz estar "radiante". Espero que continue depois de assistir em Saquarema.

Mas por agora a divulgação é em Rio das Ostras.

Quero agradecer (depois falo mais) ao Celso proprietário da Pousada das Tartarugas, pelo Apoio Cultural. A pousada fica a beira mar, com piscina... delícia né, uma pena que talvez eu não usufrua muito, penso que estarei mais no teatro. Mas o mais importante é esse apoio, pois não temos patrocínio.


Aqui a pousada:

http://www.riodasostras.com.br/pousadadastartarugas




Boa sorte pra gente! E seja bem vindo Caixinha de Música!



SHOW INFANTJUVENIL CAIXINHA DE MÚSICA


Show Musical Infantojuvenil a partir do livro Caixinha de Música de autoria da escritora e poeta consagrada no gênero, e premiada, Roseana Murray.

Neste espetáculo musical a atriz e cantora Nancy Macedo juntamente com músico Juliano Dela Guerra, buscam uma reaproximação entre poesia e música. Extrapolando e ampliando os limites do livro (onde a poesia comumente figura de maneira estática) proporcionando à criança um contato maior com o gênero literário, a poesia, através da música, isto, de maneira gostosa, divertida e interativa. Promovendo um encontro lúdico das linguagens música e poesia.

Durante os 50 minutos de apresentação, as crianças são incentivadas
a interagirem com o espetáculo: acompanhando os poemas, a encenação, cantando, dançando e explorando corporalmente sons.


Serviço:



Onde: Teatro Popular da Fundação Cultural Rio das Ostras
Centro – Rio das Ostras (ao lado prefeitura)

Quando: Dias 21/22 e 28/29 de setembro (quartas e quintas-feiras)

Horário: 15h

Censura: Livre


Ficha Técnica:



Poemas: Roseana Murray

Composições Musicais: Nancy Macedo e Juliano Dela Guerra

Voz e Performance: Nancy Macedo


Violão, guitarra e backing vocal: Juliano Dela Guerra



Figurino e acessórios de cena: Nancy Macedo


Produção: Nancy Macedo




Contato com a produção: (21) 2507-0848










sábado, 17 de setembro de 2011

(uma feira em SP)



Sabadão ensolarado na cidade maravilhosa. Coisa de louco esta cidade com TODOS bueiros em manutenção... duro andar por aqui (rsrsr). Estou na correria pois quarta em Rio das Ostras acontecerá o Caixinha de Música.

Tô indo pra feira... I love fazer feira, sem falar no pastel com caldo de cana(rsrs). Dúvidas mil quanto ao almoço (e o estômago gritando profundamente para eu me acertar com a coisa mais rápida): lasanha? peixe? um bifinho com arroz feijão a lá sampa... ai!

Um poeminha ..... kisses.. fui..........



Lambuzando-se
inteira
uma índia e uma manga
na
feira.

Trouxe-me
o gosto
o tato
e o cheiro
da infância.

Hoje, resta a mim
tola urbana
além da inveja
parar na
próxima banca.




(Londrina 2007)






domingo, 11 de setembro de 2011



(Estou postando um poema "A Bailarina" , cujo acabei de conhecer... são tantos livros da Roseana. (Estou estreando Caixinha de Música - somente poemas deste livro). Então, além de achar o poema maravilhoso (me emocionou - em vários sentidos), faz parte de uma linda história - real.

Antes, o relato de uma professora de teatro que trabalha com jovens numa clínica de recuperação (postado no blog da Roseana, e que peço licença para colocar aqui).

É o poder da arte: teatro, poesia, etc., que a gente tanto duvida... ou não...


Olá Roseana:


Sou professora de teatro em uma clinica para dependentes químicos e lá trabalho com meninas de 11 a 17 anos, comecei esse trabalho com muito receio, pois são garotas que nunca tiveram contato com nem um tipo de arte ou educação, mas como venho desse meio também coloquei a armadura e fui para batalha diária. Roseana, no terceiro encontro eu fui surpreendida com uma das garotas, quando fiz a roda de conversa e perguntei se elas se lembravam de alguma manifestação artística que tenha passado pela sua vida, essa garota falou eu só lembro-me de um poema que li na 5ª série é assim... A bailarina... Roseana, quando olhei ela estava em posição e recitando seu poema com lagrimas nos olhos e orgulhosa por saber que a única coisa boa que ficou do seu ultimo encontro com a escola foi aprender o seu poema e no final ela falou a autora é Roseana Murray! Olha... Eu fiquei tão feliz e pensei! A autora precisa saber disso! Precisa saber que uma linda garota entre suas dificuldades de vicio de crack e problemas com a família tem no seu coração um poema lindo e forte como esse A bailarina! Obrigada por me permitir esta situação! Obrigada por me ajudar nessa guerra! Agora seus escritos fazem parte das minhas aulas, fazem parte da minha armadura!





A bailarina,
como frágil lamparina,
como pequeno colar,
faz do ar sua casa,
sua estrada pontilhada
de água.

Entre uma estrela e outra
a bailarina descansa.
Ali onde os humanos
não podem ir,
só os loucos, os loucos
e os que sabem
que com um desejo
se constrói um planeta.


Roseana Murray






sábado, 10 de setembro de 2011

Quinta, feriado 7 de setembro, fui finalmente conhecer a praia do Leme. Muito perto, absurdo né (rsrs). Falta de tempo.... agora vou mais. É muito gostoso. Gostaria de ter feito mais fotos, mas acabou a bateria na terceira foto. Eis as três...



Vista da ponta da praia do Leme. Está bastante sol. Não parece né.


A água estava geladaaaaa

Muita gente pescando. Ou tentando...



segunda-feira, 5 de setembro de 2011


Mais uma pessoa faleceu (hoje) fazendo-se 06 vítimas fatais do acindente com o Bondinho. Lamentável né. Então, parece que agora realmente vão tomar providências. É revoltante.

Mas enfim... vai um poeminha meu (rsrsr)... antigo, antigo, antigo... pra minha surpresa algumas pessoas gostavam muito. Mudei só um pouquinho....




Sem Título


Meu sonho de consumo
era ser uma ave:
viver entre a natureza
voar
não falar só cantar
relacionar-me sem compromisso
simplesmente amar.

Ter beleza natural
poder ficar mais próxima do sol
não ter residência fixa
estar onde quiser
no momento que quiser.

E jamais ser capturada...

Ou morta
por um retardado de espingarda
pedras, paus, estilingues ...

Estilhaçada jamais!

... meu sonho de consumo de vida
era ser uma ave

em Total = $
Liberdade.



terça-feira, 30 de agosto de 2011






Na semana passada fui ver a Mostra sobre MILES DAVIS.


É... é.... (rsrsr)... bom demaissss!




Queremos Miles


2 Ago a 28 Set
Local: Térreo e 1º andar CCBB RJ
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h

Mostra internacional multimeios de um dos mais influentes músicos do século 20, Miles Davis, concebida pela Cité de La Musique (Paris), que consiste na exposição de cerca de 300 itens, dentre gravações, obras de arte (como pinturas de Jean Michel Basquiat e Mati Klarwein, fotografias de Annie Leibovitz e Irving Penn), vídeos, documentários, roupas, instrumentos musicais e partituras cedidas pela família de Miles, colecionadores particulares e parceiros.

O roteiro reconstitui a trajetória do artista em música e imagens. A cenografia é especialmente elaborada com tecnologia acústica, para permitir a fruição das gravações de referência do artista, com alto padrão de áudio.

Curadoria: Vincent Bessières.

A programação inclui, ainda, palestras e festival de jazz.



Consulte as seções Ideias e Música.

http://www.bb.com.br/





sábado, 27 de agosto de 2011


Lamentável o acidente hoje com o Bonde de Santa Teresa.

De onde moro vejo a garagem dos Bondinhos, e os que lá estão encostados. Adoro esses Bondes. Além de servirem para passeio dos turistas (um dos cartões postais do Rio- né!!!), são os moradores os principais usuários.

Outra opção de transporte, já que o custo é menos que a metade do ônibus ou van, que também sobem Santa Teresa. Aí como entender que não fazem o mínimo de manutenção? Não só para os bondes mas para todo o sistema que envolve essa relíquia. Abaixo vou colocar uma crônica de Machado de Assis escrito em 15 de março de1877, sobre a inauguração dos Bondes de Santa Teresa.












Inauguraram-se os bonds [bondes, palavra originária do inglês bond] de Santa Teresa, — um sistema de alcatruzes ou de escada de Jacó [escada bíblica que levava ao céu], — uma imagem das coisas deste mundo. Quando um bond sobe, outro desce, não há tempo em caminho para uma pitada de rapé, quando muito, podem dois sujeitos fazer uma barretada [saudação que consiste em tirar da cabeça o barrete].


O pior é se um dia, naquele subir e descer, descer e subir, subirem uns para o céu e outros descerem ao purgatório, ou quando menos ao necrotério.
Escusado é dizer que as diligências viram esta inauguração com um olhar extremamente melancólico.


Alguns burros, afeitos à subida e descida do outeiro, estavam ontem lastimando este novo passo do progresso. Um deles, filósofo, humanitário e ambicioso, murmurava:

— Dizem: les dieux s'en vont [os deuses vão-se embora]. Que ironia! Não; não são os deuses somos nós. Les ânes s'en vont [os asnos vão-se embora], meus colegas, les ânes s'en vont.

E esse interessante quadrúpede olhava para o bond com um olhar cheio de saudade e humilhação. Talvez rememorava a queda lenta do burro, expelido de toda a parte pelo vapor, como o vapor o há de ser pelo balão, e o balão pela eletricidade, a eletricidade por uma força nova, que levará de vez este grande trem do mundo ate à estação terminal.
O que assim não seja... por ora.



Mas inauguraram-se os bonds. Agora é que Santa Teresa vai ficar à moda. O que havia pior, enfadonho a mais não ser, eram as viagens de diligência, nome irônico de todos os veículos desse gênero. A diligência é um meio-termo entre a tartaruga e o boi.


Uma das vantagens dos bonds de Santa Teresa sobre os seus congêneresda cidade, é a impossibilidade da pescaria. A pescaria é a chaga dos outros bonds. Assim, entre o Largo do Machado e a Glória a pescaria é uma verdadeira amolação, cada bond desce a passo lento, a olhar para um e outro lado, a catar um passageiro ao longe. As vezes o passageiro aponta na Praia do Flamengo, o bond, polido e generoso, suspende passo, cochila, toma uma pitada, dá dois dedos de conversa, apanha o passageiro, e segue o fadário até a seguinte esquina onde repete a mesma lengalenga.


Nada disso em Santa Teresa: ali o bond é um verdadeiro leva-e-traz, não se detém a brincar no caminho, como um estudante vadio.


E se depois do que fica dito, não houver uma alma caridosa que diga que eu tenho em Santa Teresa uma casa para alugar-palavra de honra! o mundo está virado.







quinta-feira, 25 de agosto de 2011



AMOR


Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.




Paulo Leminski





domingo, 21 de agosto de 2011



(Capa do Livro: Caixinha de Música, de Roseana Murray)



Tenho estado sumida daqui por falta total de tempo, pois finalmente estou prestes a concluir (o que na verdade é só o começo) um projeto que há tempos venho trazendo comigo: "Caixinha de Música".


Vinha musicando o livro de Roseana Murray (essa maravilhosa e premiadíssima escritora de literatura infantojuvenil) sozinha, até que depois de muitos desencontros, encontrei um parceiro que se encaixou perfeitamente no projeto: Juliano Dela Guerra (além de músico é arranjador e produtor musical).


Então, estamos enfim terminando o trabalho. Estou feliz demais, principalmente porque está ficando muito bom. Creio que nosso público irá gostar (infantojuvenil e porque não os grandinhos - já que em outras experiências eles curtiram muito).


E esse resultado poderá ser apreciado daqui exatamente um mês quando estaremos em Rio das Ostras (belíssima cidade da região dos lagos do Rio de Janeiro - fica perto de Cabo frio, Búzios). Onde faremos uma pequena temporada no Teatro Municipal da Fundação das Artes.



E desde já meus totais agradecimetos a Fundação e ao Marcus Lofrano.


Eu, além de cuidar das composições, juntamente com o Juliano, estou fazendo toda a produção (artística e executiva (no sentido da execução, realização....). E o show ficará por conta de minha voz, com o Juliano na guitarra, violão, baixo e backing vocal.


Abaixo algumas coisas que já foram ditas sobre o livro Caixinha de Música. Ah!, e em outubro estaremos na bela, linda, linda de doer (rsrsrsr) cidade de Saquarema - também região dos lagos. Com certeza vou dando o serviço por aqui.


E continua a Vendedora de Cigarros.... e com surpresa: figurino melhorado... tules novos... mais tules.....

Deixa eu correr... domingão chuvoso aqui no Rio. E tem Flamengo hoje! E tem meu Palmeiras (x São Paulo) ai aia ai (rsrsr).


Um beijo afetuoso para o grande Sócrates e para o deus grego Gianecchini (rsrsr - sorry, mas ué... a gente também tem o direito de apreciar né.... e ele é ator... e o que mais gosto nele, é sua busca de crescimento artístico e pessoal. É isto .... beijocas afetuosas e muita, muita saúde para vocês!).


Agora (enfim) algumas coisas ditas sobre “Caixinha de Música”


“... Se insere perfeitamente na melhor genealogia da poesia para crianças no Brasil, na linha de obras-primas como Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles, ou dos Poemas infantis, de Vinicius de Moraes. A sutilidade incorpórea das metáforas, a beleza cromática das imagens, o discreto humor e a musicalidade, sempre presente e nunca ostensiva, dão ao livro um poder encantatório que só poderá fazer a delícia dos seus pequenos leitores, e não somente deles, pois não haverá leitor sensível de poesia que não se aventure, nem que seja como por um saudoso mundo perdido, nas delicadas melodias dessa Caixinha de música, tecidas pela sensibilidade auroral de Roseana Murray ”

Alexei Bueno

(escritor, tradutor e roteirista. Como editor organizou para UNESCO, Academia Brasileira de Letras, ed. Nova Aguilar e ed. Lacerda obras clássicas literárias).


“Amém privilegiados e abençoados todos aqueles que podemos atravessar desertos e percorrer bosques com um alforje de sonhos poéticos, incrustados na rosácea de Roseana Murray”

Manoel de Barros


“A poesia de Roseana Murray é feita de transparências e delicadezas, como ela falasse para mostrar o silêncio. E assim a linguagem alcança a condição de pluma ou porcelana”

Ferreira Gullar


“Tinha plena razão Clarice Lispector e Walmir Ayala, quando disseram, do fundo de sua sabedoria poética, ser Roseana Murray uma imensa Poetisa...

Por onde começar a traçar uma resenha sobre a poesia dessa escritora, premiada, inclusive, pela Academia Brasileira de Letras, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e pela Associação Paulista dos Críticos de Arte...”


Prof. Dr. Latuf Isaias Mucci - Publicado na Revista Poiesis em 2007


“Penso que, uma das razões do grande sucesso de Roseana Murray, decorre do fato, da poeta, como poucos entre nós, ter encontrado um registro de linguagem que contempla o adulto e a criança. Aliás, seus poemas não são para crianças, nem para adulto, são só para gente. E belíssimos! Parabéns...


José Salgado Santos (Compositor-letrista, tem músicas gravadas por vários artistas como, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Zizi Possi, Amelinha, Elba Ramalho, Rosa Maria, Vital Farias. Em 1999, recebeu o Prêmio Jabuti. Tem vários livros editados.